
De ‘Ó-quis-sô’ a ‘Méqui’: curiosidades de branding no Brasil
No Brasil, marcas não são apenas consumidas. Elas são faladas, apelidadas e adaptadas ao nosso jeito de se comunicar. Essa característica cultural cria curiosidades interessantes no universo do branding. Dois exemplos recentes chamaram atenção: a OXXO, rede mexicana de conveniência, que precisou ensinar como se pronuncia seu nome, e o McDonald’s, que transformou o apelido popular “Méqui” em campanha oficial.
OXXO e o desafio de identidade de marca
A OXXO desembarcou no Brasil trazendo um modelo de conveniência forte, apoiado em identidade visual marcante, cores vibrantes e padronização de lojas que reforçam a presença da marca. Ainda assim, encontrou um desafio de comunicação: a pronúncia.
Muitos brasileiros liam “OXXO” de formas diferentes, e para reduzir essa confusão a empresa lançou o slogan “Se fala Ó-quis-sô”. A estratégia mostra cuidado com o consumidor local e a intenção de criar um entendimento uniforme da marca. Não compromete sua força, mas revela como até nomes globais podem enfrentar ruídos culturais quando entram em novos mercados.
Méqui e o poder do posicionamento cultural
O McDonald’s é um caso oposto. Ao perceber que os brasileiros já chamavam a marca de “Méqui”, a empresa decidiu assumir esse apelido nas fachadas e em campanhas especiais. Em vez de ensinar uma forma “correta” de falar, a marca celebrou a forma espontânea que o público já usava.
Esse movimento reforçou a proximidade e gerou engajamento. O que poderia ser apenas uma curiosidade virou estratégia de branding, transformando um apelido em ponto de conexão emocional com o consumidor.
O que esses exemplos ensinam sobre nomes de marcas
As duas situações mostram caminhos diferentes para lidar com a cultura local. A OXXO optou por educar, corrigindo o ruído de pronúncia. O McDonald’s escolheu valorizar o apelido e transformá-lo em parte da comunicação. Em ambos os casos, há um aprendizado claro: no Brasil, marcas não vivem apenas a criação de logotipos e slogans, mas também de como são faladas no dia a dia.
Para empresas em crescimento, esse detalhe é ainda mais importante. Se grandes marcas precisam se adaptar à maneira como o público se comunica, imagine o impacto que isso tem para negócios menores. A escolha de uma criação de naming ou nome de marca intuitivo e fácil de pronunciar pode ser determinante para a lembrança e o sucesso da marca.
Registro de marca e proteção no INPI
Além da identidade visual e da comunicação cultural, existe um ponto jurídico essencial no branding: o registro de marca. O McDonald’s, por exemplo, registrou oficialmente o termo “Méqui” no INPI para proteger o apelido que se tornou parte de sua estratégia. A OXXO também já possui registros no Brasil. E mesmo que alguém tente registrar nomes parecidos, o pedido tende a ser indeferido, já que se trata de uma marca de renome mundial, que goza de proteção especial.
Para empresas menores, isso é um alerta importante: registrar sua marca cedo garante exclusividade e evita disputas legais no futuro.
Conclusão: branding é diálogo com a cultura
OXXO e Méqui mostram que branding é diálogo com a cultura. Não basta ser visto, é preciso ser compreendido e lembrado da forma como o público fala. Na Logomarcante, acreditamos que cada nome de marca e identidade visual deve nascer já com essa clareza: próximo, intuitivo e preparado para se tornar parte da vida das pessoas.